Uma instaviagem é como um começo de namoro. Aquela fase gostosa que você se surpreende a cada instante com a pessoa com quem começou a namorar. Você meio que sabe o que esperar pelo caminho, mas não tem certeza do que vem pela frente ou como vem pela frente até as coisas de fato virem. Eu, por exemplo, achava minha namorada uma mulher incrível, mas não sabia que ela era apaixonada por fotografia, que gostaria de ler o livro que escrevi ou que a família dela seria super gente boa. Isso tudo descobri com o tempo, depois que embarquei no nosso namoro, de uma forma similar com minhas descobertas depois que parti para minha última instaviagem.

Após preencher o formulário com a Carol (minha namorada), ficamos duas semanas segurando a ansiedade para descobrir para onde nos mandariam. Como demos respostas sinalizando nosso gosto por aventura e natureza e especificamos que não nos importávamos com distância de locais e atividades, as opções de destinos eram muitas. Passou pelas nossas cabeças Petar, Ilha Grande, Capitólio e Ouro Preto, mas jamais esperávamos viajar para o local escolhido. E essa foi a primeira surpresa da nossa instaviagem, tipo descobrir que seu par é apaixonado pelo mesmo tipo de filmes que você. Dois dias antes de partirmos, descobrimos que nosso destino era Visconde de Mauá onde faríamos trilhas no parque nacional mais antigo do Brasil, o Parque do Itatiaia!

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Com roteiro na mão, arrumamos as malas com roupas de frio e calor e caímos na estrada na 5a de manhã escutando um som diferente do que a playlist do Spotify que o Instaviagem criou para a gente. Uma coisa que me surpreendeu na minha namorada é que ela tem um gosto musical eclético parecido com o meu, e isso o Instaviagem não poderia prever. Mas foi boa a tentativa. Enquanto eu dirigia, Carol trocava os CDs (sim, sou vintage) que variaram de Charlie Brown Jr e Offsprings a Aerosmith e Legião Urbana. O céu estava azul e o sol queimava a pele que estivesse desprotegida. Logo o concreto e a poluição deram lugar ao verde e à Natureza. O estresse do dia-a-dia e as preocupações cotidianas foram abandonados na estrada, assim como o medo de assumir um compromisso com outra pessoa é deixado para trás com a convivência. O ar puro entrava em nossos pulmões com efeito medicinal, curando-nos dos malefícios da correria louca de São Paulo. Quando chegamos em Visconde de Mauá, estávamos apaixonados por aquela viagem que estava apenas começando.

Fizemos duas paradas rápidas pelo caminho: uma em um Madeiro para almoçar e outra no Mirante da Paz, na estrada de Penedo a Visconde de Mauá, para apreciar. Somando tudo, chegamos em nossa hospedagem após 5h30 de viagem. E nossa hospedagem foi algo que nunca teríamos escolhido por nós mesmos, de um jeito positivo de falar. O Instaviagem nos reservou uma quarto nos Chalés Realli, uma propriedade de 40 mil  metros quadrados na Serra da Mantiqueira. Um local tranquilo com apenas 7 chalés para locação, todos com lareira e conforto, e 7 sendo reformados para receberem futuros hospedes. Um pequeno pedaço de paraíso que não tem site, nem rede social. Quem quiser fazer reserva tem que procurar no Booking! Ou ser mandado para lá pelo Instaviagem…

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Outra coisa muito boa dos Chalés Realli é sua localização. A pousada fica no começo da Avenida Gastronômica do distrito de Maringá MG (que faz parte do polo turístico de Visconde de Mauá, junto com Maringá RJ e Maromba). Sendo assim, deixamos as malas no quarto, tomamos um bom banho e saímos a pé para jantar. Uma das atrações da região é a gastronomia de excelente qualidade. As opções são tantas que fica difícil escolher, mas acabamos seguindo a sugestão no nosso roteiro e optando pelo Beer Garten, anexo do restaurante Champignon. Fomos atendidos pelo garçom mais informal e gente boa que conheci na vida. Um carioca chamado Tales que me lembrou muito um personagem de Hermes e Renato pelo jeito de falar e suas gírias. Se for comer por lá, procure conhecer esse figura. Além de ser gente finíssima o cara deu excelentes sugestões de pratos e cervejas. A Carol pediu o talharim com molho de cogumelos (R$47) e eu peguei um pratão de eisebein (R$45) acompanhado de batata soutê, chucrute e molhos variados. Ambas escolhas ficaram ainda melhores acompanhadas pelo litrão da Coruja IPA (R$47). Quem gosta de cerveja artesanal vai me entender.

Não esticamos muito a noite porque acordaríamos cedo no dia seguinte. E bem cedo. 6h30 estávamos na mesa de café da manhã esperando pela chef Luciana (@romanini.luciana) que fez o sacrifício de nos servir uma refeição 2h30 antes do habitual dos Chalés Realli. Luciana combina elementos da região e produtores locais em seus pratos e levou à nossa mesa geleias artesanais, pães, manteiga, frios, frutas, iogurte caseiro, bolo e suco de laranja fresquinho. Com um refeição dessas estávamos mais do que abastecidos para enfrentarmos a trilha até as Prateleiras na parte alta do Parque de Itatiaia.

Caímos na estrada e levamos cerca de 1h para buscarmos nosso guia, Fábio (24 999913132) do Gute Passeios (@gutepasseios), na rodoviária de Itatiaia. Sem o Fábio teria sido muito mais difícil chegar na entrada da parte alta do parque. Ele nos mostrou um caminho muito melhor que o tradicional e que evitava o pedágio. Da rodoviária até a entrada do parque foram mais 1h30. Como dissemos ao Instaviagem que não nos importávamos com distância, nem nos incomodamos com essa surpresa, especialmente porque a estrada até lá é linda e cheia de animais da região.

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ATENÇÃO – se você estiver pensando em fazer a trilha das Prateleiras, aqui vão alguns avisos. Leve casaco que proteja do vento, chapéu que proteja do sol, um cantil ou garrafa de água, roupa de banho, comida e use protetor solar e protetor labial. Se o tempo estiver aberto, o sol queima a pele e o vento gelado faz com que você não perceba. A trilha não é puxada, mas requer preparo físico e vai te deixar com fome se você não levar nada para beliscar. Existem várias fontes de água pelo caminho que podem abastecer seu cantil ou garrafa, então não se preocupe em levar mais água do que o necessário. E prepare-se: você vai conhecer um lugar lindo do Brasil que muita gente ignora.

Caminhando pela trilha das Prateleiras na parte alta do parque, tive a sensação de ter entrado na Terra Média de Tolkien. A vegetação, as montanhas, os pássaros, os córregos, as quedas d’água, a trilha em si feita por pedras… tudo fez me sentir como um elfo, um hobbit ou um cavaleiro de Rohan caminhando atento para qualquer sinal de uma tropa de orcs a espreita. Mas durante todo o meu caminho não vi orcs ou criaturas malignas com desejo por guerra e destruição. Em seu lugar vi gaviões levantando voo, formações rochosas que me lembraram diferentes coisas, desde o rosto do Thanos até uma foquinha, lagos que poderiam pertencer ao Atacama e 50 tons de azul no céu. E, ao final da trilha, me peguei rindo e pensando: se não fosse o Instaviagem, nunca teria conhecido esse lugar.

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Depois de cinco horas de trilha, com direito a paradas, fotos e um mergulho na geladíssima Cachoeira das Flores (quase congelei), fomos embora do parque quando o sol começava a ir embora. À luz do poente deixou a estrada que ligava a entrada do parque a cidade de Itatiaia ainda mais linda. Nos despedimos de Fábio na rodoviária com a promessa de voltarmos algum dia para realizarmos outras trilhas juntos e uma dica para o jantar daquela noite: pastel de truta (R$12) acompanhado de chopp de pinhão (R$16 – 500ml) na Parada do Pastel na avenida principal de Maringá RJ.

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Apesar da fome que estávamos, fomos obrigados a parar no Mirante da Paz mais uma vez antes de chegarmos em Visconde de Mauá. O céu não era mais céu. Era um cobertor de estrelas. O tipo de coisa que quem mora em São Paulo esquece que existe e se surpreende. Como quem passa muito tempo solteiro e não imagina que noite de sexta com pipoca e Netflix pode ser melhor do que na balada.

Agora vamos ao pastel de truta e a cerveja de pinhão. Ambos enganam, mas de diferentes maneiras. O pastel parece pequeno pelo preço, mas basta uma mordida no recheio para você perceber que vale a pena. Já o chopp parece delicioso pela cor dourada e espuma densa, mas o gosto não é nada demais. Começo de namoro tem desse tipo de surpresa também, né?!

Dormimos que nem bebês naquela noite, aquecidos pela lareira do quarto. Na manhã seguinte, acordamos tarde e sem pressa. Luciana já nos aguardava com tostata de pão de leite e doce de leite de cobertura, crepe de alho poró, omelete de estragão, geleia de mexerica e outras delícias preparadas para nosso café da manhã. O dia que tinha começado frio ficava cada vez mais quente e perfeito para um banho de cachoeira. Dois dos locais recomendados em nosso roteiro eram o Poção da Maromba e a Cachoeira do Escorrega que ficavam bem próximos a Cervejaria Maresias, onde o Instaviagem tinha reservado um degustação de cerveja para nós. Com o sol brilhando cada vez mais no céu, ficou nítido o que faríamos naquele dia.

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Sem medo de parecer repetitivo e redundante, confesso que me surpreendi novamente… duas vezes! Simpatizei com o Poção da Maromba pelo nome. Quando cheguei lá, fiquei de boca aberta com a beleza do lugar. Já a Cachoeira do Escorrega foi ainda mais divertida do que descrito no roteiro. Deslizei em um tobogã natural de pedra impulsionado por um jato de água forte mais rápido do que em muito parque aquático por ai. Ambos os lugares são repletos de opções para uma boa refeição. Mas, depois de um banho de cachoeira gelado, era hora de tomar uma gelada. Então fomos aproveitar nosso mimo na Cervejaria Maresias.

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Em um trilho vieram 6 copinhos de cerveja artesanal, um de cada tipo, que me obrigaram a pedir uma porçãozinha de polenta frita. Vou ser sincero e dizer que não gostei de todas as cervejas. A Red Ale e a Dunkel eram um tanto quanto enjoativas. As outras, em compensação, eram maravilhosas. Até em começo de namoro, não dá para gostar de tudo, né? Mas se os pontos positivos são maiores que os negativos, tá valendo!

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Estava escurecendo quando começamos o caminho de volta para os Chalés Realli. Resolvemos fazer uma paradinha em Maringa RJ para comprar queijo e vinho. Aquela noite ligaríamos o foda-se para qualquer sugestão e roteiro. Essa é uma outra coisa legal do Instaviagem: você não é preso nem obrigado a nada. O que queríamos era ficar namorando na frente da lareira e mais nada, apesar daquela ser nossa última noite de instaviagem em Visconde de Mauá. Afinal, começo de namoro tem dessas coisas e não estou falando metaforicamente dessa vez.

Se dependesse da gente, teríamos ido embora para São Paulo bem tarde no domingo. Mas infelizmente era Dia dos Pais e precisamos sair cedo. Saboreamos cada momento do nosso último café da manhã feito pela Luciana antes do check out. Só nos restava uma última coisa a fazer antes de partir. Não dava para voltar de viagem para o Dia dos Pais de mãos vazias, né?!

Corremos para a Avenida Gastronômica de Maringá MG e encontramos um lugar chamado Empório Maricota onde uma senhora muito simpática nos atendeu. Enchi uma garrafinha de 500ml de cachaça artesanal e comprei uma cerveja Red Ale, a cachaça para o meu velho e a cerveja para mim mesmo (tinha que levar uma lembrancinha do lugar). Como sabia que meu pai me encheria o saco se só levasse cachaça de presente de dia dos pais, olhei no roteiro feito pelo Instaviagem e segui a recomendação de dar um pulinho na Chocolateria Doce Lembrança antes de ir embora. Lá comprei um potinho de geleia de mexerica que, por mais chato que meu pai seja com presentes, tive certeza que ele não reclamaria. E não reclamou até agora… ufa!

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Como em um começo de namoro, foi difícil nos despedir dessa instaviagem. Tipo uma noite de domingo depois de um final de semana incrível e apaixonado, que bate uma tristeza quando você deita na cama sozinho. Mas, como em começo de namoro em que você tem a certeza que vai ver a outra pessoa de novo, nós também temos a certa que viajaremos de novo com o Instaviagem. O tempo pode passar devagar, mas esse reencontro com uma estrada de surpresas mais cedo ou mais tarde há de chegar.

Stefano Giorgi

Autor do livro GiraMundo, uma história surrealmente real (link para download acima). Para maiores informações, siga o Instagram @ststefano

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